Crónicas Macaenses

Crónicas Macaenses é um blog de um macaense residente em São Paulo, Brasil, para as comunidades macaenses. Ouço, vejo, escuto, avalio e escrevo, tanto do passado, o presente e também do futuro. Este é o meu lema!!! Com uma linguagem simples e coloquial, numa forma de conversa, misturo o português falado e escrito no Brasil e em Portugal. Bem-vindo e antecipadamente, desculpem-me pelos possíveis erros gramaticais.

Nome: Rogério P. D. da Luz
Local: São Paulo, Estado de S.Paulo, Brazil

Autor dos sites Projecto Memória Macaense www.memoriamacaense.org / MacaenseBR www.macaensebr.info / Imagens DaLuz www.imagensdaluz.com / que compõem a Rede LUZ de Comunicações incluindo este blog que comenta/noticia assuntos da comunidade macaense, em especial de São Paulo, e da minha terra natal Macau (ex-território português na China), tanto da atualidade como da sua memória. Aqui se mistura o português do Brasil e de Portugal.

17/10/08

Série 1 - Casa de Macau, elegibilidade e continuidade

Talvez um dos Estatutos mais restritos de todas as Casas de Macau, quanto à permissão de candidaturas para os cargos de Presidente e Vice, limitadas aos naturais de Macau, a Casa de São Paulo, após 4 eleições realizadas nessas condições, ou cerca de 8 anos, procura voltar a estendê-la aos seus descendentes, independentemente do local de nascimento.
É para isso que foi convocada uma Assembléia Geral Extraordinária para o dia 26 de Outubro de 2008, para a qual, o assunto será colocado em pauta para discussão e votação dos associados.
Lembro que no ano 2000, após uma acirrada disputa eleitoral para a Diretoria Executiva, por proposta de um conselheiro numa assembléia, aprovada por maioria de votos, que as candidaturas ficassem limitadas aos naturais de Macau. Na época eu participava da chapa (lista) vencedora para a gestão 2000-2002 como diretor cultural, eleição essa realizada dentro dos Estatutos que permitiam a candidatura de descendentes naturais de Macau.
Na gestão anterior de 2006-2008, já o presidente Júlio Branco iniciou um processo de reforma dos Estatutos, convocando os associados a apresentarem sugestões. O resultado foi uma mínima adesão, com alguns associados a sugerir alterações num item ou outro. Na época eu era o secretário geral e já a minha sugestão incluía este item de elegibilidade, o que coincidia com a opinião do presidente, que era até um pouco mais abrangente. Porém não houve tempo para o Júlio terminar o esboço completo que previa alterações profundas nos Estatutos e convocar uma assembléia para tratar do assunto, ainda mais, havia o Encontro de 2007, o que demandava um trabalho árduo para organização da comitiva de São Paulo.
Já na gestão atual, o presidente Alex Airosa e diretoria optaram por fazer alterações por etapas, sendo essa abrangência uma das incluídas em primeira mão.
Assim, a diretoria atual já raciocina no futuro da Casa de Macau de São Paulo, pois querer pensar no seu futuro, nos jovens etc, sem ter um Estatuto que o permita, seria um tanto contraditório. Aliás, também faz justiça a muitos membros da comunidade, inclusive da geração mais velha, pois existem macaenses nascidos noutros locais, como Portugal, Timor, Xanghai, etc. que estão impedidos da candidatura aos cargos de presidente e vice.
Fora do que, alivia aquele drama, a cada eleição, daquele que vai querer se “sacrificar” para ser candidato, pois os naturais que já não são lá muitos, pouquíssimos (ou quase ninguém) estão dispostos a assumir tamanha responsabilidade, pois a estrutura de São Paulo equivale-se a uma empresa, com empregados, escritório, 5.000 m2 e 4 prédios para cuidar, um custo mensal altíssimo, um complexo auxílio social ou complementação de renda, como queiram chamar, suportados pelos rendimentos das suas aplicações bancárias ou doações pontuais, porém com o agravo de que vai-se consumindo o capital principal das suas reservas, pouco a pouco, exigindo medidas administrativas rígidas para restringir gastos, etc. etc.
Pensar no futuro da Casa de Macau, para aqueles que querem assim pensar, pois há quem não defenda esta idéia, um assunto que irei tratar na próxima postagem, exige várias medidas, uma delas é esta tratada nesta postagem, a de ampliação da elegibilidade. Outra, muito mais complexa, é o que iremos ver na apresentação de contas que será feita na assembléia, assunto que também irei tratar numa outra postagem, o portanto de estar considerando este assunto como uma série que pretendo tratar da Casa de Macau de São Paulo.
Em resumo, falar de continuidade das Casas de Macau com iniciativas em prol dos jovens é uma das medidas certas que tem que ser apoiada por todos que assim o desejam, mas, como disse, é uma das medidas !!! Outra, também muito importante, aliás, importantíssimo, é ver se a Casa de Macau terá recursos para sobreviver até que esses jovens, já mais amadurecidos, possam administrá-la. Pois, sem dinheiro, a Casa de Macau não existirá para o jovem de hoje administrar amanhã !!! É um fato, uma realidade que tem que ser enfrentada.

Rogério P.D. Luz (hoje sou um mero associado. Não faço parte da diretoria e nem dos conselhos da Casa, salvo o Conselho das Comunidades Macaenses onde ainda represento São Paulo no Conselho Permanente. Participei de 3 diretorias eleitas)