Crónicas Macaenses

29/10/08

Série 3 - Hugo Chávez na Casa de Macau ???!!! Candidatura sem restrições de nº de mandatos

Série 3 - Hugo Chávez na Casa de Macau ???!!! Candidatura sem restrições de nº de mandatos

Hugo Chávez na Casa de Macau de São Paulo ???!!! Não, não ... apenas uma referência proferida numa assembléia. Ah ... isso contribuiu para descontrair o ambiente, pois foi citada até a disputa eleitoral para a prefeitura municipal de São Paulo, entre o atual prefeito Gilberto Kassab, que foi reeleito, e a ex-prefeita Marta Suplicy. E, até aventaram que a proposta do conselheiro Aníbal Joaquim, pode ter exemplo em Hugo Chávez e a reeleição de Kassab. O Aníbal bem que tentou explicar o motivo da sua proposta, bem intencionada conforme ele. "Fiquei até assustado com a reação de alguns", afirma o Aníbal, pois conforme ele, foi com base no que assistiu nas eleições anteriores e o eterno problema de falta de candidatos. Pensava ele que com a proposta de permitir a candidatura da diretoria à nova eleição, mesmo tendo já cumprido 2 mandatos, era para resolver esse problema de ausência de candidaturas e enrolação que se assiste. Afinal de contas, a diretoria teria que concorrer de qualquer forma, se quisesse apresentar a candidatura, e ganhar a eleição.Mas a preocupação de uso de "máquina administrativa" ou atitudes eleitoreiras da diretoria no "poder", "inibiaria" a apresentação de qualquer candidatura, foi uma das manifestações dos opositores à proposta. Nessas alturas, a Casa de Macau estava sendo comparada e discutida a nível de Presidência de República, Prefeitura Municipal, o Poder, o Governo etc. etc.Houve quem pensasse que a proposta permitiria à diretoria se eternizar no "poder", sem ter mais nenhuma eleição ... Minha intervenção nessa descontraída discussão, já que foram falar de política, foi que a ex-prefeita Marta disputou a sua reeleição com o novo candidato José Serra, e perdeu, mesmo que muitos falaram que ela tinha realizado "obras eleitoreiras pré-eleitorais". Está ok, está ok, vão dizer que o Kassab foi reeleito em contrapartida !!!Mas, política é política, Casa de Macau é Casa de Macau e não é Casa da Venezuela ou Casa de Prefeitura. Vamos separar as coisas !!! O trabalho é voluntário e a gente sacrifica a nossa vida particular a troco de nenhuma remuneração. Até gastamos dinheiro do nosso bolso para esse trabalho voluntário. Eu dispenso a vaidade e sede de poder, por ser diretoria. Xô ... fiquem longe de mim !!! Pelo menos assistiram à divulgação do meu motivo de não concorrer à reeleição de 2° vice pelo Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Macaenses. Achava que não era amparada pelos estatutos e assim eu escrevi aqui.No entanto não sou fervoroso defensor da proposta, e já que foi apresentada, entre o sim e o não, deixei o sim, pelos argumentos apresentados por Aníbal. Na verdade, posso dizer que sou um dos exemplos vivo dessa proposta. Isto é, fui diretor na 1a. gestão do Júlio Branco, onde houve uma disputa entre 2 candidaturas. Ganhamos e pronto, fiquei 2 anos. No final do mandato, nenhuma candidatura e o Júlio apresentou a dele e foi reeleito e lá eu tive que ficar mais 2 anos. E no término do 2° mandato, nada de candidato e não podiamos continuar, pois o estatuto não permitia, aliás nem queriamos continuar. Estavamos já exaustos. Aí o Alex Airosa se candidatou como chapa/lista única. E se não houvesse nenhuma candidatura??? Ai ai ai, teria que me sacrificar por mais 2 anos? O Júlio que me perdoe, se fosse permitido a ele se candidatar, tipo "candidatura de emergência", como hoje já é permitido, acho que ele teria que continuar sem mim.Isto para explicar que, mesmo que o estatuto permita, como acontece hoje, cumprir mais de 2 mandatos??? Nossa, haja fôlego !!! Assim, pensei, para que toda a discussão? Vai ter presidente que queira ficar por mais de 6 anos (3 anos de mandatos também foi aprovado-vide depois) na administração? Uma coisa é o estatuto permitir, outra coisa é ver se vai ter alguém com essa disposição!!! Seria um herói!!! Merecedor do Prémio Nobel. Assim, para mim, tanto faz se o estatuto permite ou não. Pois Casa de Macau não é emprego, é trabalho voluntário sem remuneração, em que você sacrifica a sua vida e seus projetos particulares pela associação. Ainda tento entender a polémica ou se há outras preocupações não manifestadas.Mas o susto do Aníbal logo passou, embora ele nem teve motivos para comemorar a aprovação por 80,26% dos 76 associados presentes, ou seja, 61 votos a favor contra 15 opositores à proposta, e nem havia motivo para isto, pois pensou apenas em dar uma mãozinha para esses problemas de candidaturas, que podem se agravar no futuro, com o avanço de idade dos associados.Lembro bem de uma situação semelhante numa outra Casa, em que o presidente teve que apresentar a candidatura seguidas vezes (não recordo de quantas), pois simplesmente não havia candidatos em várias eleições. Ele alegava até cansaço, mas paciência, não havia como deixar a Casa sem administração. Fechá-la por falta de diretoria??? Penso, ainda preciso checar, que os estatutos daquela Casa permitia reeleições sem limites.Aliás o presidente da CM agiu bem em ficar alheio ao bate-boca e simplesmente administrar a disciplina do ambiente e encaminhar a votação, pois afinal de contas, a proposta não era de sua iniciativa e na reunião da diretoria com os conselheiros, a sua apresentação por parte do conselheiro Aníbal, foi aprovada sem votos contrários para ser submetida à assembléia, conforme informações. Aí penso ... será que não teria sido mais produtivo se o tema, já nessa reunião preliminar, fosse mais debatido por quem opusesse a ele?

Série 2 -Assembléia na Casa de São Paulo ... apenas mais 7,3 anos de vida ???!!!

"esta foi a postagem que ao invés de o fazer aqui, fiz na capa do meu site Projecto Memória Macaense, logo em seguida à assembléia. Assim, vai preliminarmente um apanhado do que aconteceu. Estou a escrever e revisar o ocorrido no dia, ouvindo a gravação completa que fiz no meu mp3, que afinal de contas, gravou tudo certinho, sem falhas"

Na Assembléia Geral Extraordinária realizada em 26/Outubro/2008, a diretoria da Casa de Macau de São Paulo, em quadro demonstrativo das suas receitas/despesas avisou os associados que a associação sobreviverá por 7,3 anos a mais, se o déficit mensal continuar, devido ao seu alto custo na área de auxílio sociail incluindo a residência, manutenção e actividades sociais diversas e de fins de semana, despesas administrativas etc. etc., tal como foi demonstrado em projeção visível a todos.
A previsão original era de apenas 6 anos de vida, porém com medidas rígidas de contenção de despesas tomadas, que resultaram em corte de 51%, aumentaram em mais 1,3 anos, porém ainda insuficientes, obrigando a novas medidas que serão tomadas progressivamente.
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nota do editor - conforme postagem anterior, já vinha alertando das dificuldades financeiras da Casa de Macau de São Paulo, um gigante em tamanho, um espelho das Casas,e tantos outros adjetivos, porém com reservas insuficientes para atender despesas altas, em especial na área social e residência, além de atividades corriqueiras como os almoços de fim de semana, subsidiados, onde, conforme demonstrativo, a receita corresponde a 10% em média das despesas, obrigando-a a fechar uma vez por mês para essa atividade. A situação é realmente séria pois, como eu disse, "sem dinheiro, não haverá uma Casa de Macau para o jovem de hoje administrar amanhã". Como se sabe, as Casas não recebem ajudas financeiras periódicas, apenas doações pontuais dependendo do esforço de associados ou da diretoria e o convecimento de terceiros ou entidades. Além do que a Casa de São Paulo tem 5.000 m2 e 4 prédios/piscina para manter, funcionários, fora de um programa de auxílio social em constante ajuste e análise de necessidades pessoais de cada um e tantas outras coisas, num funcionamento diferente de outras. É hora para refletir se queremos uma longa vida da Casa ou vamos gastar tudo nessa geração atual e depois "que o último a sair, apague as luzes da Casa". E, em 7,3 anos, ainda existirão macaenses da geração dos anos 50 e 60 para cumprir a árdua tarefa. (Rogério P.D. Luz)

17/10/08

Série 1 - Casa de Macau, elegibilidade e continuidade

Talvez um dos Estatutos mais restritos de todas as Casas de Macau, quanto à permissão de candidaturas para os cargos de Presidente e Vice, limitadas aos naturais de Macau, a Casa de São Paulo, após 4 eleições realizadas nessas condições, ou cerca de 8 anos, procura voltar a estendê-la aos seus descendentes, independentemente do local de nascimento.
É para isso que foi convocada uma Assembléia Geral Extraordinária para o dia 26 de Outubro de 2008, para a qual, o assunto será colocado em pauta para discussão e votação dos associados.
Lembro que no ano 2000, após uma acirrada disputa eleitoral para a Diretoria Executiva, por proposta de um conselheiro numa assembléia, aprovada por maioria de votos, que as candidaturas ficassem limitadas aos naturais de Macau. Na época eu participava da chapa (lista) vencedora para a gestão 2000-2002 como diretor cultural, eleição essa realizada dentro dos Estatutos que permitiam a candidatura de descendentes naturais de Macau.
Na gestão anterior de 2006-2008, já o presidente Júlio Branco iniciou um processo de reforma dos Estatutos, convocando os associados a apresentarem sugestões. O resultado foi uma mínima adesão, com alguns associados a sugerir alterações num item ou outro. Na época eu era o secretário geral e já a minha sugestão incluía este item de elegibilidade, o que coincidia com a opinião do presidente, que era até um pouco mais abrangente. Porém não houve tempo para o Júlio terminar o esboço completo que previa alterações profundas nos Estatutos e convocar uma assembléia para tratar do assunto, ainda mais, havia o Encontro de 2007, o que demandava um trabalho árduo para organização da comitiva de São Paulo.
Já na gestão atual, o presidente Alex Airosa e diretoria optaram por fazer alterações por etapas, sendo essa abrangência uma das incluídas em primeira mão.
Assim, a diretoria atual já raciocina no futuro da Casa de Macau de São Paulo, pois querer pensar no seu futuro, nos jovens etc, sem ter um Estatuto que o permita, seria um tanto contraditório. Aliás, também faz justiça a muitos membros da comunidade, inclusive da geração mais velha, pois existem macaenses nascidos noutros locais, como Portugal, Timor, Xanghai, etc. que estão impedidos da candidatura aos cargos de presidente e vice.
Fora do que, alivia aquele drama, a cada eleição, daquele que vai querer se “sacrificar” para ser candidato, pois os naturais que já não são lá muitos, pouquíssimos (ou quase ninguém) estão dispostos a assumir tamanha responsabilidade, pois a estrutura de São Paulo equivale-se a uma empresa, com empregados, escritório, 5.000 m2 e 4 prédios para cuidar, um custo mensal altíssimo, um complexo auxílio social ou complementação de renda, como queiram chamar, suportados pelos rendimentos das suas aplicações bancárias ou doações pontuais, porém com o agravo de que vai-se consumindo o capital principal das suas reservas, pouco a pouco, exigindo medidas administrativas rígidas para restringir gastos, etc. etc.
Pensar no futuro da Casa de Macau, para aqueles que querem assim pensar, pois há quem não defenda esta idéia, um assunto que irei tratar na próxima postagem, exige várias medidas, uma delas é esta tratada nesta postagem, a de ampliação da elegibilidade. Outra, muito mais complexa, é o que iremos ver na apresentação de contas que será feita na assembléia, assunto que também irei tratar numa outra postagem, o portanto de estar considerando este assunto como uma série que pretendo tratar da Casa de Macau de São Paulo.
Em resumo, falar de continuidade das Casas de Macau com iniciativas em prol dos jovens é uma das medidas certas que tem que ser apoiada por todos que assim o desejam, mas, como disse, é uma das medidas !!! Outra, também muito importante, aliás, importantíssimo, é ver se a Casa de Macau terá recursos para sobreviver até que esses jovens, já mais amadurecidos, possam administrá-la. Pois, sem dinheiro, a Casa de Macau não existirá para o jovem de hoje administrar amanhã !!! É um fato, uma realidade que tem que ser enfrentada.

Rogério P.D. Luz (hoje sou um mero associado. Não faço parte da diretoria e nem dos conselhos da Casa, salvo o Conselho das Comunidades Macaenses onde ainda represento São Paulo no Conselho Permanente. Participei de 3 diretorias eleitas)