Um indesejado ponto de encontro !!!
Compareceram vários membros da comunidade macaense para consolar os pais no cemitério, e a minha esposa Mia pode prestar um grande auxílio na difícil jornada do que é lidar com o IML e o serviço funerário, pois o casal estava todo transtornado e ignorava os procedimentos. Algo feito de coração e respeito, e deixemos o assunto de lado.
Desde o enterro do nosso amigo conterrâneo Luís Felipe Placé, filho do Jacinto e de Frances (Miami/EUA) em Maio deste ano, a comunidade macaense voltava a se encontrar num dos lugares, apesar de respeito, mas indesejado e temido por muitos. Lembro-me bem de um comentário, que poderia até se considerar infeliz, mas traduzia bem um temor da condição natural da vida. "Quem vai ser o próximo"? dizia meio discretamente um conterrâneo. Isso seguramente não sai da cabeça de quem ouviu. Diria hoje, "todos nós seremos os próximos, um dia". É a condição para estarmos vivos aqui na terra. Que um dia, partamos na santa paz, consciência tranquila e com paz de espírito. Deixaremos alegrias, tristezas e mágoas aqui na terra. Aí vejo as tantas divergências na nossa comunidade e fico a pensar. A nossa comunidade tanto daqui de S.Paulo como de outras partes do mundo, de um modo, é de idade avançada como evidencia os Encontros e as reuniões. Ficamos aí nos "matando" uns aos outros fora do cemitério e quando vamos lá para um enterro, "abaixamos a crista" e pensamos "seremos os próximos" e "como iremos partir para a outra vida"? "Levaremos as divergências e mágoas para fundar uma Casa de Macau no céu ou no inferno?", quem sabe a "disputa eleitoral" vai ser mais brava, já que lá terão mais concorrentes de "peso"?
Coisa escrúxula para comentar, não? Mas uma coisa é certa! Infelizmente, o cemitério e velórios são também um ponto de encontro da diáspora macaense, e porque não dos residentes de Macau. Também seria de outros povos, mas o nosso tem uma particulariedade. É mais neste local que a gente encontra outros membros de comunidade que não aparecem mais na Casa de Macau, nem mesmo nas festas comemorativas. Na Casa, se os desaparecidos forem, até vai ter gente olhando torto! "O que esse gajo veio fazer aqui?", eu diria que um ou outro perguntaria, sentindo-se no direito de posse do ambiente. Mas no cemitério, aí já não tem nenhum "direito" de questionar. É tristeza no cemitério, mas mais triste quando vemos coisas esdrúxulas assim num ambiente de uma instituição, que tem o conceito da sua fundação para AGREGAR. Falando disso, a comentar das divergências na nossa comunidade, uma delegada de polícia perguntou-me: "afinal para que serve uma Casa de Macau"? Eu, espontâneamente, respondi "é para agregar pessoas da nossa terra Macau". Eis que ela, também espontâneamente, me perguntou: "se é para agregar, o porque de tantas divergências?" Fiquei sem palavras ...




Dupla comemoração em São Paulo













