Crónicas Macaenses

Crónicas Macaenses é um blog de um macaense residente em São Paulo, Brasil, para as comunidades macaenses. Ouço, vejo, escuto, avalio e escrevo, tanto do passado, o presente e também do futuro. Este é o meu lema!!! Com uma linguagem simples e coloquial, numa forma de conversa, misturo o português falado e escrito no Brasil e em Portugal. Bem-vindo e antecipadamente, desculpem-me pelos possíveis erros gramaticais.

Nome: Rogério P. D. da Luz
Local: São Paulo, Estado de S.Paulo, Brazil

Autor dos sites Projecto Memória Macaense www.memoriamacaense.org / MacaenseBR www.macaensebr.info / Imagens DaLuz www.imagensdaluz.com / que compõem a Rede LUZ de Comunicações incluindo este blog que comenta/noticia assuntos da comunidade macaense, em especial de São Paulo, e da minha terra natal Macau (ex-território português na China), tanto da atualidade como da sua memória. Aqui se mistura o português do Brasil e de Portugal.

18/09/09

Um indesejado ponto de encontro !!!

Na 2a. passada, 14/Set, tivemos a infelicidade da notícia do falecimento da filha dos bons e prestativos funcionários da Casa de Macau de São Paulo, o Régis e a Rosilene. Uma menina nascida deficiente, um anjo que partiu para o céu aos 13 anos.
Compareceram vários membros da comunidade macaense para consolar os pais no cemitério, e a minha esposa Mia pode prestar um grande auxílio na difícil jornada do que é lidar com o IML e o serviço funerário, pois o casal estava todo transtornado e ignorava os procedimentos. Algo feito de coração e respeito, e deixemos o assunto de lado.
Desde o enterro do nosso amigo conterrâneo Luís Felipe Placé, filho do Jacinto e de Frances (Miami/EUA) em Maio deste ano, a comunidade macaense voltava a se encontrar num dos lugares, apesar de respeito, mas indesejado e temido por muitos. Lembro-me bem de um comentário, que poderia até se considerar infeliz, mas traduzia bem um temor da condição natural da vida. "Quem vai ser o próximo"? dizia meio discretamente um conterrâneo. Isso seguramente não sai da cabeça de quem ouviu. Diria hoje, "todos nós seremos os próximos, um dia". É a condição para estarmos vivos aqui na terra. Que um dia, partamos na santa paz, consciência tranquila e com paz de espírito. Deixaremos alegrias, tristezas e mágoas aqui na terra. Aí vejo as tantas divergências na nossa comunidade e fico a pensar. A nossa comunidade tanto daqui de S.Paulo como de outras partes do mundo, de um modo, é de idade avançada como evidencia os Encontros e as reuniões. Ficamos aí nos "matando" uns aos outros fora do cemitério e quando vamos lá para um enterro, "abaixamos a crista" e pensamos "seremos os próximos" e "como iremos partir para a outra vida"? "Levaremos as divergências e mágoas para fundar uma Casa de Macau no céu ou no inferno?", quem sabe a "disputa eleitoral" vai ser mais brava, já que lá terão mais concorrentes de "peso"?
Coisa escrúxula para comentar, não? Mas uma coisa é certa! Infelizmente, o cemitério e velórios são também um ponto de encontro da diáspora macaense, e porque não dos residentes de Macau. Também seria de outros povos, mas o nosso tem uma particulariedade. É mais neste local que a gente encontra outros membros de comunidade que não aparecem mais na Casa de Macau, nem mesmo nas festas comemorativas. Na Casa, se os desaparecidos forem, até vai ter gente olhando torto! "O que esse gajo veio fazer aqui?", eu diria que um ou outro perguntaria, sentindo-se no direito de posse do ambiente. Mas no cemitério, aí já não tem nenhum "direito" de questionar. É tristeza no cemitério, mas mais triste quando vemos coisas esdrúxulas assim num ambiente de uma instituição, que tem o conceito da sua fundação para AGREGAR. Falando disso, a comentar das divergências na nossa comunidade, uma delegada de polícia perguntou-me: "afinal para que serve uma Casa de Macau"? Eu, espontâneamente, respondi "é para agregar pessoas da nossa terra Macau". Eis que ela, também espontâneamente, me perguntou: "se é para agregar, o porque de tantas divergências?" Fiquei sem palavras ...

27/08/09

Macau no Museu da Língua Portuguesa

(clicar nas fotos para aumentar)


Com muito orgulho, São Paulo, Brasil, possui um Museu da Língua Portuguesa. Mesmo não sendo a mãe da língua, o seu filho soube bem valorizá-la e criou-lhe um museu.

É pá, então não digas que aqui se fala o brasileiro, mas sim o português !!!

Eu e a minha esposa Mia, anfitriões dos meninos de 22 anos do Studio Nilau, o Miguel Cheong e a Flora Fong, ambos do Studio Nilau que já encerraram no Brasil (São Paulo e Rio) os trabalhos deles, os levamos para visitar o Museu no seu último de estadia.

Qual a nossa surpresa, que gerou até uma exclamação de todos, ao pesquisar o video de "o Português no Mundo", lá estava um depoimento filmado da Mariazinha Lopes Carvalho a falar das procissões de Macau.

Mariazinha para quem não conhece, é uma macaense autêntica, a mãe do patuá e uma grande escritora e produtora de peças de patuá em São Paulo. Achei plenamente justo ter sido ela a escolhida para representar a comunidade macaense local. Uma grande recompensa para quem sabe valorizar a cultura acima de qualquer coisa.

O Miguel e a Flora também foram os autores da exclamação em voz alta, pois logo reconheceram a Mariazinha, como sendo ela uma das 25 pessoas entrevistadas, num árduo trabalho diário em locais diferentes, mas que deram uma enorme satisfação a mim e a minha esposa Mia, em nome do portal Projecto Memória Macaense, pela oportunidade de poder contribuir efetivamente para o sucesso do trabalho deles em terras paulistanas brasileiras, agradecendo ao Frederico Martins pela sua parcela de apoio a nós e a eles, o que contribuiu para alcançar em 100% o planeado pelos esforçados estudantes.
Oportunamente, irei fazer um ensaio fotográfico completo para que os amigos leitores de outras paragens possam conhecer este museu, que é um orgulho para os amantes da nossa língua portuguesa.

Um bilhete de identidade de 1951 está lá exposto. Veja de quem é!







22/08/09

Studio Nilau, domingo 23 na CMSP

O Projecto Memória Macaense, Crónicas Macaesnes e Rogério P.D. Luz informam que no domingo, dia 23, na Casa de Macau de São Paulo, o Studio Nilau estará lá para fazer a apresentação dos seus trabalhos. Vamos comparecer e prestigiar o reconhecido esforço destes jovens estudantes de Macau.

13/08/09

Studio Nilau no Brasil - vamos prestigiá-los !!!

Nos próximos dias, o Studio Nilau desembarca no Rio de Janeiro e depois em São Paulo, para dar sequência ao seu trabalho visual e investigativo "Macaenses - Ou Mun Ian". Já estiveram em Portugal, Estados Unidos, Canadá e naturalmente em Macau, onde realizaram entrevistas com recolha de dados e informações.
Um apelo do portal Projecto Memória Macaense (PMM) para que a comunidade macaense de São Paulo e do Rio de Janeiro, ofereça o seu contributo para o sucesso do trabalho dos jovens estudantes de Macau. É importante para nós "Ou Mun Ian" !!!
O PMM, através do seu autor e dentro das suas possibilidades, oferecerá o apoio necessário para que o objetivos do Studio Nilau sejam alcançados em São Paulo.
Está confirmado que no domingo do dia 23 de Agosto, os estudantes farão a sua apresentação na Casa de Macau de São Paulo com a exibição do video PÁTIO DO MUNGO (Macau). Compareça amigo associado, leve seus amigos, prestigie o trabalho da nossa gente de Macau !!! Informe-se com o PMM.

06/08/09

Casa de Macau de São Paulo faz 20 anos e celebra 10 anos da RAEM ( 1 )

Dupla comemoração em São Paulo
os 10 anos da RAEM e os 20 anos da Casa de São Paulo foram o motivo

(veja álbum com 63 fotos - aqui)
matéria publicada no Jornal Tribuna de Macau www.jtm.com.mo - edição de 10/08/2009 - no link Edições Anteriores - depois Local

Passaram-se 20 anos desde que a comunidade macaense de São Paulo fundou a sua própria Casa de Macau, num esforço comum de gente de todas as origens, de Macau, principalmente, mas somaram-se aqueles vindos do Shanghai, Hong Kong, Portugal, sem falar do Brasil brasileiro, como cantado na canção Aquarela do Brasil, país de acolhimento dos macaenses, sempre a mostrar gratidão ao seu povo, pela oportunidade para construção da sua nova vida e pela boa acolhida.
Alegrias e tristezas marcaram a sua vida e sobrevivendo a isso, a comunidade comemorou o aniversário, já preocupada com o seu futuro e com a esperança depositada na Nova Geração à vista da sua continuidade.
A festa realizada na Casa de Macau no sábado passado, dia 1 de Agosto, celebrou, em conjunto, o 10º ano do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau e dois bolos de comemorativos, amparados pelas bandeiras da RAEM e da Associação, foram dispostos para a cantoria do “parabéns para você”, que foi auxiliado pelo coral Vozes de Macau, após fazer a sua apresentação conduzida por um novo maestro e repertório com novidades.
O Consulado da República Popular da China foi representado pelo cônsul geral adjunto, Bianc Chungang e a consulesa geral adjunto Gu Yunfen que, no seu discurso, saudou as datas comemorativas e a comunidade macaense. Com a mesma tónica de discurso, o presidente da Casa de Macau, Alexandre Airosa, destacou o trabalho do actual Chefe do Executivo, Edmundo Ho, em favor das comunidades macaenses e registou com satisfação a eleição do seu substituto, Fernando Chui San On.
Como habitualmente, a Casa de Macau do Rio de Janeiro formou uma caravana de 30 pessoas e viajou para participar da dupla comemoração com os paulistas macaenses, e juntos puderam assistir à nova peça teatral em patuá do grupo de teatro local.
Fartaram-se a rir com as peripécias da dupla de senhoras macaístas, protagonizadas por Armando Ritchie e Mariazinha Carvalho, com o funcionário público português, Manuel Ramos, ao se meterem por engano na fila da secção de emissão de Passaporte, nome da peça, para comprar pães, julgando estar na vizinha padaria Vo Lông.
Tanto para animar a festa, como para fazer o lançamento do seu novo CD “não comercial” de canções dos anos 60 de origem inglesa, Carlos dos Santos, de nome artístico Charlie, apresentou-se com a sua banda profissional e atraiu muita gente para a pista de dança.
A dupla festa que contou com a participação de mais de 250 pessoas, ainda contou com a elogiada estréia da cozinhação de Julie Coatswith, nascida em Hong Kong, em festas deste porte. Filha da macaense Mariazinha Carvalho,que é autora de diversas peças de teatro em patuá, Julie aprendeu os segredos da gastronomia macaense com a sua mãe, a qual, orgulhosa, procura explicar que o fato pode servir como exemplo de continuidade na comunidade. Explica-se que com a aposentadoria por idade da antiga cozinheira macaense, a Casa de Macau foi somente encontrar a disponibilidade com conhecimento da culinária macaense e chinesa, numa das suas associadas mais jovem. já que outros conhecedores de cozinha mais velhos não estavam disponíveis para fazer o trabalho. Um exemplo simples, mas importante se analisarmos no contexto geral do movimento em favor da continuidade das Casas e o investimento na Nova Geração, cujo ápice foi o Encontro de Jovens em Macau.

28/07/09

TODOS estão convidados para a festa

Lembro-me da época em que eu era secretário-geral (2005-2008) da Casa de Macau de São Paulo, quando sugeri que os convites de festa fossem estendidos aos membros da comunidade macaense que deixaram de ser associados, ou seja, por não pagarem mais as mensalidades, qual seja o motivo.
Mesmo que tenha sido posto em dúvida a receptividade da iniciativa por tais ex-associados, ou que gere uma despesa de correios sem resultados, entendia que no conceito de integração da comunidade macaense, era um gesto importante. Era importante dizer aos ex-associados que pelo fato de não pagarem mais as mensalidades, não quer dizer que eles deixaram de integrar a nossa comunidade, ou seja, deixaram de "ser macaenses". A Casa de Macau não pode ser o parâmetro para dizer quem é ou não é macaense ou membro da comunidade. Ela tem que ser o exemplo, quer seja você amigo ou desafeto de um membro da direção, que o sentido de comunidade tem que ser analisado como um todo e não por conceitos pessoais, do tipo, "eu não gramo você e por isso não vou te enviar o convite". Se assim for, melhor ter a dignidade de pedir demissão do cargo !!!
Assim, por minha iniciativa, reproduzo o convite para a festa da Casa de Macau de São Paulo no dia 1 de Agosto, para celebrar os 10 anos do estabelecimento da Região Administrativa de Macau-RAEM e dos seus 20 anos de fundação, para dizer que os "não associados" são também convidados.
Venha para festa, reveja os amigos e conterrâneos, mate as saudades e conviva com a sua gente. A festa a rigor também está aberta aos amigos e parentes de associados ou não, que fique claro!
Os associados em dia, ou seja, com no máximo até 3 meses de atraso nas mensalidades, somente terão despesas com as bebidas, sendo lhes oferecido o almoço, sobremesa e chá de tarde sem nenhum custo. Aos "não associados" será cobrada uma quantia fixa de R$ 20,00 (por volta de US$ 10,00 ou 80 patacas) mais o consumo de bebidas. Crianças até 5 anos não pagam e de 5 a 12 pagam 50% daquele valor.
programa cultural - Ontem, dia 28, num jantar na casa do Alex regado a camarões, uma delícia, perguntei a Judite Manhão Branco coordenadora do Coral Vozes de Macau, sobre como estavam ensaiados para a festa, e ela, sempre orgulhosa do trabalho, respondeu "ensaiadíssimos". A conversa transcorreu sobre a média de idade do grupo, o que de um modo gerou certa descontração sobre diversas observações, tais como a "nova geração" do grupo estar situada nos seus 59 anos, daí a dar margem para imaginar a média de idade dos seus integrantes. E conversa vem conversa vai, fiquei imaginando que se nos Encontros fossem convocados os membros da Terceira Idade (digamos 60 anos) ao palco para cantar uma canção, qual seria a proporção de público assistente e participantes? Pelo menos na festa de Natal da Casa de Macau de São Paulo, era mais ou menos 70% no palco e 30% a assistir. Não entenda como brincadeira ou deboche por minha parte, mas esta é a pura realidade da comunidade macaense mundial, o portanto da importância de procurar integrar a nova geração nas nossas atividades. Quanto a mim, que faço 59 no mês que vem, já irei logo logo subir também ao palco.
Quanto ao teatro com a peça Passaporte, já há um novo membro da "nova geração" dos seus 40 e tal anos, o Pedro Assis Fong que está todo entusiasmado por participar pela 1a. vez, embora o Armando Ritchie procure ensiná-lo um gesto e ele a fazer outro, mas vale a iniciativa, criatividade e plena disposição, o que julgo, servirá de exemplo a outros mais jovens para integrar o Grupo Teatral de patuá, que precisa continuar com apoio consciente que uma comunidade sem cultura não é nada e esquecer de politicagens e vaidades pessoais fúteis, infantis e inconsequentes.
Em resumo, seja você associado, ex-associado ou "nunca foi" associado, mas membro da comunidade macaense, amigo e simpatizante de Macau, participe da festa que começa às 12:30 hrs e venha saborear o "tacho" à moda da Julie, além de outros pratos macaenses e chineses.
O Projecto Memória Macaense vai estar lá e fará diversas entrevistas para o seu novo espaço "Macaenses, a história de todos nós" e este blog Crónicas Macaenses registrará (registará) o que aconteceu no dia.

16/07/09

Quem é esta gaja ou gajo?

(neste blog - clique nas imagens para aumentar)
Mas ... diga lá ... quem é esta gaja ou gajo ???!!!
Vocês nunca iriam acreditar, nem mesmo seus amigos/as que são tantos em Macau.
Lembro-me dos tempos em que eu era diretor cultural da gestão do Armando Ritchie, em que promovemos um desfile de moda de associadas no Dia das Mães, e decidimos divertir o público ao desfilar três associados trajados de roupas femininas.
Qual nossa surpresa, quando um conceituado senhor, ficou lá fascinado a perguntar insistentemente, "quem é essa gaja ... quem é essa gaja?". Até ficamos preocupados que lá se inflamou uma paixão estonteante!!!
E eis a história desta gaja ou gajo ... hehehe !!!
A foto foi tirada na peça teatral do Natal de 2008 na Casa de Macau de São Paulo.
Penso que se olharem para as postagens posteriores, talvez, digo, talvez descubram quem é !!! hehehe .... mas vê se não se descuidam e vão se "apaixonar" por essa "gaja china" !!!

Deputado William Woo, amigo dos macaenses



“Em cerimônia realizada na tarde de hoje, 2 de julho de 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o texto do Projeto de Lei 1664, de autoria do deputado William Woo, que permite ao estrangeiro que se encontra em situação irregular no território nacional requerer residência provisória. A cerimônia de sanção foi realizada no Ministério da Justiça, em Brasília, e contou com a presença do ministro da Justiça, Tarso Genro, e do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior.
O texto do projeto do deputado William Woo foi mantido. Como pontos principais, a lei prevê que o imigrante terá 180 dias, a partir da publicação da lei, para os estrangeiros que estão em situação irregular no Brasil entrarem com pedido de residência provisória; a validade de 2 anos para a Carteira de Identidade de Estrangeiro; e o prazo de 60 dias para o estrangeiro recorrer em caso de anulado seu direito à residência provisória ou permanente.”
Para quem é imigrante, como eu, a gente sabe dar valor a esta notícia, apesar de eu não tido nenhum problema para obter a residência fixa no Brasil, na época de 1968, quando cheguei a São Paulo e neste País acolhedor e amigo.
O texto é do site do nobre deputado, amigo da comunidade macaense de São Paulo, quem sempre prestigiou as nossas atividades, nem que seja para dar um pulo na associação nos dias de festa, dar muitos abraços e em seguida retornar aos seus inúmeros compromissos diários.
Foi com certa tristeza que assisti ao noticiário, inclusive na Globo, que somente falaram do presidente como um feito por ele ter sancionado o projeto lei, porém o William Woo foi esquecido. No jornal O Estado de São Paulo, então, o noticiário atribuiu o crédito ao deputado e de onde eu soube da notícia.
William Woo já esteve em Macau, salvo erro, há meses atrás na companhia de autoridades policiais que fizeram a sua visita à China, por ocasião da viagem do Lula à RPC.
A sua múltipla ligação oriental começa com o pai que é chinês, a mãe, japonesa e para terminar a esposa Cristina, natural de Seul, Coréia do Sul. Nascido em São Paulo no ano de 1968, elegeu-se deputado federal em 2006 com 113 mil votos pelo Partido do PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do candidatíssimo à Presidência da República, o Governador de São Paulo, José Serra. Anteriormente ocupava o cargo de Vereador por São Paulo.
Como grande amigo da comunidade macaense, além das festas como citado, tem prestigiado as recepções oferecidas aos visitantes e delegações da RAEM, como foi a Rita dos Santos (foto) além de oferecer a sua ajuda às justas solicitações da associação. Sempre procura arranhar o seu mandarim nos discursos, valendo esse esforço para a integração com o Oriente, a China em especial. Conta sempre com a companhia da sua colaboradora e tradutora chinesa Eida e também muito amiga dos macaenses. Aliás a Eida, na sua 1ª. tentativa de candidatura ao disputadíssimo cargo de vereador, só não levou por uma mínima diferença de mil e poucos votos. Quem sabe nas próximas eleições, que estamos torcendo para isso.
Penso que nessas alturas, quantos imigrantes devem estar dando pulos de alegria por poderem regularizar a sua situação no Brasil. Sem falar nos chineses cuja imigração, em especial para São Paulo, continua a se acentuar gradativamente, talvez já beirando a população de Macau. Há uns tempos atrás, fontes oficiais diziam em mais de 200 mil em situação regular.
Bom para gente que hoje, podemos ir ao bairro oriental da Liberdade e lá comprarmos quase todos os petiscos e ingredientes chineses, e podemos comer bons chau mins, tim sam ou tá pin lou nesta época de inverno. A Liberdade antes era mais conhecida como bairro japonês, pela maciça imigração do Japão que terminou lá no fim dos anos 60. Hoje andando pelas ruas, já se percebe a forte presença chinesa, tanto por pessoas, como pelas lojas e produtos oferecidos que mais nos identificam. Até pólo pau a gente acha por lá, sem falar no delicioso há kau/siu mai do restaurante Rei dos Reis, vizinho do outro excelente Si Fu de comida cantonense, cujo proprietário chinês está a rir à toa pelos bons negócios e a freguesia também de brasileiros que aprenderam a gostar da culinária chinesa, graças a Deus! Parabéns deputado William Woo (www.williamwoo.com.br) e muita satisfação em tê-lo como amigo dos macaenses.

São Paulo e os 10 anos da transição

"Acuso o recebimento" do convite da Casa de Macau de São Paulo, para participar da festa no dia 1 de Agosto de 2009, para celebração dos 10 anos do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau - RAEM, bem como do 'tái san iat", 20 anos de existência da associação macaense..

Andam falando por aí que a competente Julie, que com toda a justiça assumiu a cozinha da associação macaense, vai preparar um delicioso tacho (chau chau pele), embora eu preferisse a sua feijoada macaense, a mais saborosa que já experimentei. O caprichado "tá páu" que ganhei dessa feijoada fez-me viver Macau nas nuvens por 2 dias.


Como já é uma tradição nas festas paulistanas/macaenses, o côro de macaenses, hoje com um nome mais adequado "Vozes de Macau", está a ensaiar a todo vapor e estreando algumas novas canções no seu repertório, além de que, ao que parece, com novos trajes chineses comprados na Liberdade. Aliás este côro está de parabéns, com menção especial à sua coordenadora Judite Manhão Branco, pois é a única formação macaense de São Paulo que mais tempo está a durar. E olha que estão de olho no Encontro de 2010. Será que vão estar lá?

Praticamente o grupo está a ensaiar nos fins de semana, quer haja festa ou não. Hoje conta com o novo maestro Fernando, pasmem, faz parte de uma banda cover de Bee Gees com ele nos teclados, tal como trajado com chapéu e tudo. O eficiente Vainer Dias Gomes que conduziu o côro no Encontro de 2007, teve que viajar por alguns meses para a Alemanha para um contrato musical, assumindo o Fernando no seu lugar que está também a mostrar toda a sua eficiência.

Outra grande atração, esta que vai fazer a gente rolar de rir, é uma peça teatral em patuá coordenada pelos pais de teatro paulista em patuá, a Mariazinha Conceição Carvalho e o Armando Ritchie. Só de ouvi-los contar de detalhes da peça, já dá para rir, quanto mais ver a peça em si. É uma nova adaptação da peça "O Passaporte" que conta de um posto para tirar o passaporte ao lado de uma padaria. Aí já dá para imaginar que as pessoas, por engano, vão ao balcão da padaria tirar o passaporte ou para o balcão do passaporte para comprar pão. É uma confusão danada !!!
Numa outra postagem irei falar e mostrar mais imagens de uma outra peça anterior como esta ao lado e acima. Queria muito ver o grupo teatral no Teatro do Macau Tower, quer seja no próximo Encontro ou não, pois garanto, vai fazer muito macaense morrer de dar risada até inclusive do inigualável Dóci Papiaçam.

Quanto à parte musical, já o Canicha (Charlie Santos) irá com a sua banda profissional fazer a apresentação que, segundo dizem, com as músicas dos anos 60 do seu novo CD. O Canicha já lançou tantos CDs, não comerciais, como frisa, que até perdi a conta. Fico feliz por ele que está a fazer o que mais gosta e com muita competência, e tudo com investimento pessoal. Bom para quem pode e faz, e faz bem!!! Sucesso Canicha!!!

Quanto à celebração dos 10 anos da RAEM, que conta com patrocínio de Macau e verbas através do CCM, já estamos a ver por diversas Casas e associações macaenses. Sempre é bom registrar que vale a celebração, pois a transição pacífica e o status quo da Macau de hoje, não é o que a maioria dos macaenses poderia imaginar. Podem falar da perda de certas regalias, mas digamos que ganhamos naquelas que nunca poderiamos pensar, o do porque da massiva imigração macaense antes da transição, como a minha bem antes em 1967, e agora até assistimos a algumas imigrações inversas. Ouço falar de certa resistência de uma ou outra entidade, mas convenhamos, quando nos ansiamos por um Encontro, bem sabemos quem nos patrocina a volta à nossa terra mãe e quem nos trata como filhos da terra, independente da nossa nacionalidade.

Que seja um sucesso a festa macaense-paulistana e que transcorra tudo na santa paz, boa vontade, respeito e bom senso.

Jovens Macaenses

Fiquei feliz em ver o nome de Rodrigo Mendonça figurar entre os jovens da delegação do Rio de Janeiro, que participa do Encontro de Jovens em Macau.
Por ser filho do meu primo e grande amigo desde os anos 60 em Macau, António Bruno Machado Mendonça casado com a simpática Argentina, conheço bem o Rodrigo e o quão macaense ele é, mesmo nascido no Rio de Janeiro onde os seus pais residem.
Penso que jovens conscientes das suas origens e com características que podem atuar no futuro, para a continuidade e preservação das suas raízes, certamente poderão dar o seu contributo para que não sejamos esquecidos para tão já.
Para isso a formação doméstica assume toda a sua importância e disso posso assegurar que o Rodrigo sabe bem. O meu primo António é um dos que soube formar o seu filho para a consciência das suas raízes, pois o seu sentimento macaense é patente.
Não podemos bater no peito e dizer que somos macaenses, que até de alguns se auto denominam “defensores de macaenses”, como num mote eleitoral, sem antes pensar que para ser macaense não é só viver o momento e fazer auto-promoção, mas pensar e dar o exemplo de forma positiva e construtiva para que os jovens sintam satisfação por fazer parte de uma comunidade macaense, além de sentirem o gosto de freqüentar esse meio.
Hoje, infelizmente, quando se pergunta aos jovens do motivo de não freqüentarem o meio macaense na sua associação local, como na diáspora, ouvimos opiniões tais como “não me sinto bem no meio, pois lá se vê intrigas, fofocas (chuchumecas), um tal falar mal de outros, disputas etc.”, sem falar de alguns tradicionais que não os integram, seja qual o motivo, como um deles, por não ter nascido em Macau, além de ficarem a falar o chinês, para que os “estrangeiros” não escutem as suas conversas esquisitas.
Além do que os jovens encontram muitas restrições de pessoas que “adoram falar o não”, quando no uso de equipamentos de lazer, tendo alguns até terem confessado que sentem “medo” de reclamar.
Em São Paulo, temos assistido ao esforço pessoal dos presidentes da Casa, o Júlio “Totó” e atualmente do Alex em favor dos jovens, que têm até merecido noticiário no JTM de minha autoria. É uma batalha dura, como assisti de perto tanto na gestão anterior como membro da direção, como nos dias de hoje. Muitas vezes o presidente se esforça, mas um ou outro colaborador de perto, faz exatamente o contrário, anda na contra-mão, além de alguns membros desinformados da comunidade. Às vezes até fico a lembrar dos tempos de escola no Seminário São José, quando ainda reinava punições aos alunos com réguas, rotas e palmatórias.
Uns falam que não adianta investir nos jovens, mais tem que gastar toda a massa nos tradicionais, pois eles, os jovens, não querem saber de nada e nem freqüentam a Casa.
Exigir que o jovem freqüente a Casa tal como um mais idoso frequenta é pura utopia. Hoje alguns associados ainda vão com alguma freqüência, mais para comer alguma comida macaense ou para participar de atividade específica que exija um ensaio freqüente. Essa freqüência vemos diminuir com o tempo, tanto por óbitos, doença e dificuldade de locomoção, desgosto, ou como dizem uns, para não ver aquele sujeito que não gramam. Sem falar que muitos que já não vão mais há tempos por mágoas, que por causa de uns, acaba a Casa “pagando o pato”. A Casa que, convenhamos, tem que ser enxergada como uma associação para fins culturais e de preservação da identidade, entre as mais importantes finalidades. Para outras finalidades, há órgãos governamentais ou entidades privadas específicas que sabem lidar dentro da legalidade, e não nós sem conhecimento técnico e fora das normas, com uma ajeitada de termos, um assunto que merece ser abordado numa época adequada.
Assim penso que não podemos exigir do jovem uma freqüência e participação de atividades, tal qual como praticada por seus pais ou parentes da geração atual de imigrantes. Não há raciocínio lógico, pois eles têm a sua vida construída no País de acolhimento dos seus pais, dentro dos costumes locais, fora de que já têm construído as suas amizades, meios de lazer e diversão na cidade.
O que podemos sim esperar dos jovens no futuro, é que saibam promover atividades pontuais ou de datas específicas, para lembrar as suas raízes e costumes dos seus parentes, para que possam contar a história de um povo macaense originário de uma presença portuguesa por cerca de 420 a 440 anos, numa cidade que se chama Macau, localizada no Sul da China onde se vive hoje uma perfeita harmonia de culturas, mesmo após a justa transição à sua origem.
Portanto, é merecedora de aplausos a iniciativa do Conselho das Comunidades Macaenses em promover o Encontro de Jovens, que mesmo com um limitado orçamento a permitir apenas a viagem de poucos jovens de cada País da diáspora macaense e dos residentes, vale pela mensagem a eles que não estão esquecidos. Os macaenses de hoje precisam dos jovens no amanhã, para que não fiquem lamentando com sentenças tais como “lá se vai mais um de nós” ou “estamos acabando”. Ficamos felizes por ver que em Malacas como em Goa, ainda há uns resistentes que lembram bem das suas origens. Não teria sido um “ex-jovem filho de outro ex-jovem etc”, cuja família soube contar e conscientizar das suas origens, que em Malaca ainda há rastros da colonização portuguesa? Assim se espera em Macau como na diáspora macaense para daqui a 15, 30, 50 anos ou mais ...

14/07/09

Americanos amigos de macaenses


(clicar na foto para aumentar)
Vindos dos EUA especialmente para prestigiar o aniversário de 60 (tái san iat) do seu parceiro comercial no Brasil, Alex Airosa, uma delegação de norte-americanos de alto nível, no dia seguinte da festa (vide postagem anterior), em 5 de Abril de 2009, foi visitar a associação macaense de São Paulo.

Era composta por Bill Doyle, presidente/CEO da PCS, Steven Dechka, presidente e CEO da Campotex, Thomas Reagan e companheira Elizabeth, presidente da PCS fosfatos, Paul Dekok e esposa Vicky, diretor da PCS.

A Julie, encarregada da cozinha, caprichou bem o cardápio e os americanos puderam saborear a culinária macaense e brasileira.

Já o coral Vozes de Macau, que se apresentou em Macau no último Encontro em 2007, lá se esmerou para fazer a sua apresentação, incluindo no variado repertório um "special request" (pedido especial) da canção Danny Boy, feito por Thomas Reagan por ocasião da sua última visita há um bom tempo atrás. Emocionado e surpreso, Thomas aplaudiu de pé com entusiasmo. No final, todos foram tirar uma foto de lembrança com o coral.

E não custava nada comemorar de novo o aniversário, só que desta vez no ambiente da Casa de Macau que dirige como presidente, Alex Airosa teve que cumprir o ritual do bolo aniversário regado ao canto de "parabéns para você".

Como não podia de deixar de acontecer, como já ocorrera em outras ocasiões, os norte-americanos deixaram suas contribuições pontuais, sempre por exclusiva interferência do Alex, que tem servido às atividades da comunidade macaense local através da sua associação.

Há que se admitir que após a transição, as parcas receitas da associação tem sido um pouco engordadas pelos americanos, acredite !!! Mas há que se admitir também que, se não houvesse o esforço do Alex, essas ajudas pontuais nunca viriam, o que alguns "esquecidos" não sabem reconhecer (ou fingem esquecer) e ainda querem estabelecer "regras". "Êta nóis!" Pois bem, quero ver se um dia irão sentir saudades do esforço do atual presidente ou irão chorar nos seus pés na maior cara de ... ? E tenho dito !!!

06/07/09

'niver de 60 à la 60

(clicar na imagem para ver em tamanho maior)


Ou seja, aniversário de 60 anos à moda dos anos 60. É isso o que aconteceu no dia 04 de Abril em São Paulo !!! Alex Airosa comemorou o seu "tái san iat" (grande aniversário), que para os homens ocorre na terminação zero e para as mulheres em um. E criativamente o tema para a festa, num belo buffet em Santo Amaro, foi baseado nos anos 60, belos tempos que outrora em Macau marcou pela sua participação no conjunto The Thunders.


Aí então muitos convidados, cerca de 300 ou mais, procuraram trajar-se à moda dos anos 60 ou algo parecido. 'Tá certo que alguns trajes lembravam mais os anos 50 ou posteriores, mas valeu toda a intenção. Afinal era dia de baile e festa !!!


Duas bandas animaram a festa, sendo uma delas cover dos Bee Gees, bem à moda dos anos 60. E lá subiram ao palco, o Api-Rigo Rosário, Manuel Costa e Armando Ritchie, seus colegas dos Thunders, e juntos fizeram uma homenagem ao aniversariante. E, enquanto acontecia a festa com muita música e dança, rodava um video em 2 telas com fotos antigas e atuais do Alex. Entre os convidados, muitos conterrâneos que para além de homenagear um amigo, também o faziam para o presidente da Casa de Macau de São Paulo e a eles somaram muitos empresários especialmente a alta direção e presidência da PCS e Potash (veja numa nova postagem) vindos especialmente dos EUA para tal fim. Familiares e amigos do Canadá, Portugal, Macau, também viajaram para participar da festa que estendeu-se pela madrugada.

30/06/09

Somos mais portugueses ou mais chineses? Divagando por aí ...

Macaense é isso aí ... sempre na maior das dúvidas!!! Afinal, somos mais portugueses ou somos mais chineses??? Você tem certeza? Certeza absoluta na sua resposta?
Pra começar, vamos lá !!! Quando vamos viajar para outro país, se tivesse, numa suposição, 2 passaportes, o português e o chinês. Acho que não precisa dizer que você lá vai correndo para a sua gaveta, e pronto!!! O passaporte da Comunidade Européia, o português, logo será verificado se está dentro da validade. Aí somos portugueses 100%, sem hesitação ...
Digamos, chega lá em São Francisco, nos EUA, na terra das 3 associações macaenses reunidas sob a denominação MCC-Macau Cultural Center, será que você irá procurar um portuguese-town para almoçar aquele bacalhau, tentando ser coerente com o seu passaporte CE? Que nada, macaense, você vai correndo para o chinatown, pois ali estão os melhores cozinheiros chineses que emigraram para a terra do Tio Sam. Aí somos mais chineses !!!
E na casa do macaense? Até que achamos um galo do Barcelo, alguns azulejos portugueses com gravações de Portugal, Fátima e lá vai ... mas, a maioria dos enfeites que decoram a sua estante, são chineses. Até santo china e Buda tem, embora seja católico.
Mas, de repente, há uma partida de futebol com o selecionado português e tocam o hino nacional “Lá vamos, cantar o hino ...”. Logo você se levanta em sinal de respeito e patriotismo, põe a mão no peito, canta junto, e lágrimas de saudades até podem escorrer pelo seu rosto. Português patriota não?
Mas,novamente, após a partida em que Portugal ganha a partida e você deu pulos de alegria, é exibido um filme português, mas antes passam os comerciais. Aí você com o controle remoto vai mudando de canal para dar uma olhada, enquanto não começa o filme. Daí depara que também acaba de começar um filme chinês no HBO, daqueles de kung fu, falado em cantonense ... ah, dúvida, volta para o filme português do Manuel e Maria, ou fica nesse daí produzido em Hong Kong? Olha lá a opção de coração? Acho que fica no chinese movie ... sim ou não?
Um dia, vai passear em Lisboa, desabafa nos bacalhaus, caldo verde, carneiro, peixada, etc! Mas, num passeio pelo orla marítima, passa por Estoril, ah ... que tal uma paradinha naquele restaurante chinês que tem Tim Sum? Não resiste, hein?
E a história vai por aí e tanta coisa para comparar. O caso é que o macaense, por mais que ostente o seu nome comprido português, carregue consigo o passaporte português, orgulha-se do seu BI português, morre de saudades dos tempos antigos de pré-transição, torce pelo Benfica etc etc, acaba sempre pendendo pelos costumes chineses, especialmente a comida. Se for natural de Macau, nasceu no meio de 95% da população chinesa. Precisa explicar mais?
Obviamente que não estou a generalizar, nem posso dizer que todos pensam assim, mas que pitorescamente vê-se com freqüência.
Macaense sã assi ... sempre meio a meio !!!

Projecto Memória Macaense, 6 anos

No dia 5 de Junho, o portal/site Projecto Memória Macaense - PMM completou 6 anos de existência.
Tudo começou com uma simples pretensão de construir um site pela primeira vez, após curtir essa vontade por tempos, para expor fotos antigas de Macau guardadas numa gaveta, bem como de outros itens tal como bilhetes de bus e de cinema, etc. Somava-se também a vontade saudosista de manter viva a bandeira histórica do Leal Senado, que foi exposta por um bom tempo na página de entrada. Também não posso deixar de registar a minha imensa satisfação, ao manter viva a imagem dos meus pais e dois irmãos falecidos com a exposição das suas fotos.
Antes, já tinha experimentado montar uma espécie de boletim e divulgado por e-mail. Senti boa receptividade dessa simples iniciativa, o que incentivou-me a montar o site.
Custou para fazê-lo pois não dominava a técnica e a linguagem para construção de sites, que persiste até hoje, mas havia o provedor americano Tripod/Lycos que tinha ferramentas para quem carecia deste conhecimento. Aí o meu problema foi resolvido.

Uma vez montado o PMM, daí em diante ficou por conta a criatividade e o trabalho mental para imaginar o que poderia ser inserido. Por um bom tempo, devido à novidade e o propósito do site, o movimento foi grande com colaboração espontânea de muitos contemporâneos. Conheci muita gente e passei a ficar conhecido. Com o decorrer do tempo, surgiram outros sites e blogs macaenses e naturalmente o público foi diversificando as suas visitas e obviamente, também o PMM deixou de ser novidade. Ainda assim, o PMM possui um perfil próprio contando com espaço musical e de vídeo entre diversos outros, além de reconhecer a RAEM sem esquecer da memória macaense. Afinal de contas, não podemos (nós macaenses da Diáspora) ser egoístas ao ignorar que na RAEM residem milhares de conterrâneos e compatriotas.

Como devem ter visto na postagem anterior deste blog, fiz uma homenagem ao site A Diáspora Macaense da América, que encerrou as suas actividades, pelo bom trabalho desenvolvido para divulgar Macau e a comunidade macaense, especialmente em inglês, sem no entanto, como esclarecido explicitamente, querer intrometer-me em assuntos internos das Casas e Associações macaenses dos EUA. Posso dizer que a carta de despedida do seu autor, foi a batida de martelo para a tomada de decisão que venho a amadurecer há tempos. Um portal/site pessoal como o PMM não deve se envolver em assuntos de Casas de Macau, como a de São Paulo, não só pela questão de sobrevivência mas também por sua independência. Podem esses assuntos ser dos mais variáveis como uma festa, ou de algum outro desagradável. O facto de se envolver na divulgação, acaba tornando uma coisa pessoal numa espécie de porta-voz da entidade, ainda mais que já havia gente que achava que eu tinha obrigações com a Casa. Obviamente não me refiro ao seu Presidente com quem mantenho óptimas relações de amizade e que sabe bem respeitar a propriedade alheia, no caso a minha.
Entendo que se uma Casa de Macau quer divulgar as suas actividades, tem que construir seu próprio site, como já existem de outras Casas, e para isso o responsável por essa área tem que se empenhar para tal fim, como fiz quando fazia parte da direcção em gestões anteriores, até colocando algo pessoal a serviço da associação sem nenhum custo para ela. Para quem não saiba, o PMM é, será e sempre foi totalmente custeado pela minha pessoa. Uma questão de preferência pessoal e disso me orgulho, pois se tivesse que depender financeiramente de alguém, seria preferível fechar as portas.
Para o trabalho que o PMM se prestava antes, há o blog Crónicas Macaenses que pela sua característica cumpre o papel de expressar a minha opinião além de noticiar através de postagens. Um blog é de construção simples que pode ser deletado sem maiores conseqüências, assim como já o fiz anteriormente com um e outro.

E assim caminha o PMM para o seu 7º aniversário em 2010, ano de mais um Encontro das Comunidades Macaense, como assim esperamos e rezamos. E quer fazer mais e mais aniversários, qual seja a sua audiência. O portal é algo que gosto de fazer e sentir satisfação em tê-lo, mesmo que as actualizações não tenham a freqüência recomendada, pois afinal de contas, ele não é dinâmico por não ser um jornal ou boletim informativo periódico, mas pontual em cada assunto. É uma referência na Internet para lembrar ao mundo de internautas que lá no Sul da China, existe Macau e uma gente que se chama Macaense, fruto da presença portuguesa por cerca de 440 anos, que sem ela não teria toda a graça que tem hoje.
Para finalizar, quero agradecer a todos que ofereceram o seu contributo, quer por material ou pela audiência. Muito obrigado!!! (Rogério Luz)

11/05/09

site A Diáspora Macaense na América, um tributo

O site A Diáspora Macaense na América ao completar 5 anos da sua criação, em 22 de Outubro de 2008, encerrou as suas actividades.
Na sua mensagem de despedida de 19 de Setembro de 2008, o editor Horatio F. Ozorio, relata o trabalho do site e os motivos para essa iniciativa, revelando uma certa mágoa.

O blog Crónicas Macaenses e o seu editor Rogério P.D. Luz, sem querer assumir nenhum posicionamento em relação ao relatado como mágoa, e nem querer intrometer-se em assuntos locais da Califórnia, tanto por desconhecimento como pelo princípio de não interferência em assuntos de outras Casas e comunidades macaenses fora de São Paulo, vem prestar um tributo ao website A DIÁSPORA MACAENSE NA AMÉRICA no que concerne ao trabalho para divulgar Macau e as comunidades macaenses na língua inglesa, uma congênere do meu portal Projecto Memória Macaense que neste ano de 2009, completa 6 anos de existência e quer completar tantos outros aniversários.

Caro Horatio, umas vezes você vinha pedir-me autorização para a divulgação de minhas notícias e eu com muito bom grado a cedi. Vi o seu esforço de traduzi-la para o inglês e agradeço imensamente pelas referências no seu website. Conheci-o pessoalmente em Macau, onde andei arranhando o meu inglês para conversar com você. Senti na pele, por ser exactamente a minha situação, quando você diz "I received exactly nothing from anyone for my time and labor. Instead I paid Yahoo! a monthly website hosting fee out of my own pocket (Na verdade não recebi nada de ninguém pelo meu trabalho e o tempo desperdiçado para ele. Ao contrário paguei mensalmente ao Yahoo as mensalidades para a sua manutenção, do meu próprio bolso). É isso, Horatio, a vida é assim. Uma missão ingrata? Não diria assim, há que se ver os elogios que você tem recebido, como vejo incentivo nas assinaturas e mensagens no Livro de Visitas. Tudo o que a gente faz, nem sempre agrada a outros. Vejo o meu site PMM como uma missão que instituí para mim, como macaense. É uma prestação de contas que faço para mim e a minha consciência, além de ser algo que gosto de mexer, tanto que criei um outro website de fotografias IMAGENS DALUZ (www.imagensdaluz.com) para me divertir como é um bom passatempo. O importante e acima de tudo, uma coisa que sempre fiz questão de avisar, o PMM é um site independente e de um autor só.

Dentro de uma mentalidade de separar as coisas, o PMM fala de Macau e dos macaenses, especialmente do passado, porém sem se referir profundamente em questões de comunidade. Para isso, foi criado este blog Crónicas Macaenses para falar de tantas coisas, embora sem ser muito assíduo. Mas o blog é diferente de um site. Blog, que é uma espécie de diário, a gente cria e fecha como bem achar. Serve para comentar e opinar, e xiça ... tem tantas coisas para falar daqui ...

Assim, Horatio, a minha homenagem pelo seu esforço e dedicação para manter o website, que não é fácil, ainda mais pelas notícias traduzidas e a constância de actualizações. Não posso me posicionar diante das suas mágoas relatadas, pelo meu posicionamento de não ingerência em assuntos que não me dizem respeito e fora do meu alcance. Desculpe-me por isso!

Abaixo, está a sua mensagem de Despedida em inglês e o meu esforço para traduzi-lo em português. Peço desculpas antecipadamente por uma eventual tradução errada, que pode me corrigir, se for o caso, pois o inglês não é a minha língua do dia-a-dia e nem a domino ou sou fluente. É rafeiro mesmo, rsrs!!!

(veja tradução em seguida)



A Farewell
To the many who enjoy visiting this website I address this farewell message. It is to thank them for their moral support and to say goodbye for I am shutting down this website.
Before doing so, let me refresh their memory of my purpose for the website. I and many of my Macanese contemporaries had long been concerned about the historical survival of the California Macanese diaspora. In a nutshell, it was clear that the members of the older Macanese generation had been dwindling steadily in numbers over the past six decades, while the younger generation seemingly was not overly disturbed about the possibility of its roots, culture, tradition and unique identity being lost and forgotten forever. We felt that something had to be done to save the diaspora from ending up in the dustbin of history. That gave birth to this website.
The website endeavored in its objectives to motivate and stimulate its readers into action, by disseminating news of inspirational interest to the Macanese, by reporting on communal affairs for their edification, by recalling memories of their past, and so on. Where it thought it might be of help, the website editorially offered constructive suggestions designed to troubleshoot organizational problems confronting the four Macanese social organizations and to assist in overcoming operational problems that seemed to bedevil the community. Unfortunately these offerings, which were made in good faith and with the best of intentions, and which went unacknowledged, were seen as “gratuitous” criticism, despite an obvious need for them.
After five years of its existence, it has finally become clear to me that the website is neither appreciated nor effective as a communication tool. Over that time, the website was inexplicably shunned by the management and membership of the four Macanese organizations in California. Despite the website’s global usefulness, it received no encouragement from abroad either. So with some sense of disappointment even though I have learned a lot from running the website, I have decided to cease publication.
But there is something I need to do before closing up shop. I need to defend myself of the hurtful insults hurled my way, even though I should by now have been inured to such vitriol and name-calling that are historically said to be not uncommon among “our people.” I have been accused locally of self-aggrandizement in operating my website. In fact, I received exactly nothing from anyone for my time and labor. Instead I paid Yahoo! a monthly website hosting fee out of my own pocket. I have also been accused of trying to draw attention to myself. The truth is I have received no recognition or thanks from any of the abovementioned parties for my services to the Macanese community. The website articles are testimony to the unworthiness of these accusations. I stand by everything the website has written. I should note also that nothing in the website, if it was found odious, was ever rebutted.
So, as of October 22, 2008, the fifth anniversary of this website, or thereabouts, this website will shut down its operations.
Goodbye and good luck to all.
Horatio F. Ozorio, Editor
September 19, 2008


Uma Despedida
Àqueles que apreciam visitar este website, endereço-lhes esta mensagem de adeus. Tem a finalidade de agradecer-lhes pelo apoio moral e para dizer adeus pois eu estou encerrando as actividades deste Website. Antes de fazê-lo, deixe-me recordar da minha finalidade com o website. Eu e muitos de meus contemporâneos macaenses, nos preocupávamos pela sobrevivência histórica da diáspora macaense de Califórnia. Como num círculo fechado, era visível que os membros da velha geração macaense vinha diminuindo progressivamente há seis décadas passadas, enquanto a geração mais nova aparentemente não se preocupava com a preservação das suas raizes, cultura, tradição e identidade original, sendo perdidos e esquecidos para sempre. Nós sentimos que algo tinha que ser feito, para evitar que a diáspora terminasse no cesto de lixo da história. Isso motivou a criação deste website.
O web site esforçou-se em seus objetivos para motivar e estimular seus leitores a agir, disseminando notícias de interesse aos macaenses, relatando em casos construtivos da comunidade, recordando memórias de seu passado, e assim por diante.
O editorial do website oferecia sugestões construtivas, visando problemas organizacionais diante das quatro organizações macaenses e para auxiliar nos problemas operacionais futuros que pudessem contribuir para o bem da comunidade.
Infelizmente essas iniciativas, que foram feitas de boa fé e nas melhores das intenções e feitas de um modo sem ostentação, eram vistas como crítica “gratuita”, ao invés de um contributo.
Depois de 5 anos da sua existência, ficou claro para mim que este website não é apreciado nem considerado uma boa ferramenta de comunicação. Durante este período, o website foi inexplicavelmente deixado de lado pela administração e o quadro associativo das 4 organizações macaenses da Califórnia.
Apesar da utilidade mundial do website, não recebeu nenhum incentivo do exterior inclusive. Assim com algum sentimento de decepção, mesmo que eu tenha aprendido muito com a vivência do website, decidi encerrar as suas actividades.
Mas há algo que preciso fazer antes de encerrá-lo. Preciso defender-me das agressões ofensivas vividas, mesmo que agora eu deveria estar acostumado a tais ofensas e referências nominais que historicamente dizem ser comum no meio da “nossa gente”. Fui acusado localmente de promoção pessoal através do website.
Na verdade não recebi nada de ninguém pelo meu trabalho e o tempo desperdiçado para ele. Ao contrário paguei mensalmente ao Yahoo as mensalidades para a sua manutenção, do meu próprio bolso. Fui também acusado de procurar chamar atenção para a minha pessoa. A verdade é que não recebi nenhum reconhecimento ou agradecimento de qualquer uma das organizações citadas pelos meus préstimos à comunidade macaense. Os artigos do website são o testemunho da falta de sustentação dessas acusações. Eu assumo por tudo o que o website tem escrito. Também devo registar que nada escrito neste website, se foi considerado como ofensivo, foi rebatido.
Assim, a partir de 22 de Outubro de 2008, o quinto aniversário deste website, ou aproximadamente, este website encerrará as suas actividades.
Adeus e boa sorte a todos
Horatio F.Ozório, editor
19 de Setembro de 2008


08/03/09

A Livraria Portuguesa

A questão do fechamento da Livraria Portuguesa, aquela visita obrigatória para todo imigrante macaense que retorna à terra natal, está a se espalhar por toda a comunidade macaense e portuguesa, especialmente por via Internet.
Toda vez que voltava a Macau, ia visitá-la. Era para ver as novidades dos cds, como já comprei diversos além de livros para a minha biblioteca particular, bem como, sentia-me bem por lá. Matava as saudades!
Li as reportagens a respeito no JTM e recebi vários e-mails de convocação para assinatura de um abaixo-assinado apelando pela sua preservação.
Junto a todos para fazer este apelo, entendendo justas as justificativas pelo que o estabelecimento representa para todos nós.
Não sei exatamente qual o motivo real para o seu encerramento e venda. À distância, lemos e ouvimos, mas vale o apelo - preserve a Livraria Portuguesa pelo que ela representa para toda a comunidade, não só pelo seu conteúdo, mas também pela parte física que é o seu prédio !!!
A propósito, fico a pensar que as instalações da Casa de Macau não pertencem à nossa Associação. A propriedade não é nossa. Vivemos de uma forma de "aluguel (aluguer) gratuito" ... espero que o agravamento da crise mundial e as grandes perdas financeiras de todas as empresas e instituições, não venham a nos afetar. Não seria bom ver o caminhão (camião) de mudança na porta, para nos levar a lugar nenhum. Salvo erro meu, São Paulo tem a Casa de Macau mais bonita e mais ampla do mundo, porém tem um detalhe, que ainda vou constatar, a Casa de Macau de São Paulo é a única do mundo que não tem uma sede própria. Como se diz, é bonito mas não é nosso!!! Como todo o cidadão anseia por uma casa própria para deixar de viver de aluguel, também gostariamos de ter a nossa casa própria !!! Mas quero crer que sempre prevalecerá a boa vontade como tem-se mostrado.
Mas é bom que saibam disso, pois pelo que constatei muitos desconhecem ou têm interpretações equivocadas e mal explicadas.

06/03/09

Pequenas recordações de Macau (01)

Estudei no Seminário de São José e, interessante, que nas 4ªs. feiras, (ou seria na 5ª.?), não havia aulas. Daí, muitas vezes, nos anos 60, tipo 1964, em diante, reunia com os meus amigos António (Tony) Canhota, António Mendonça (Fei Lou), eventualmente, José Pinto e David Baptista (chivit), na minha casa na Calçada do Tronco Velho nº 15, e lá ensaiávamos como a banda (grupo) The Rockers. Até gravamos umas canções no meu gravador de rolo Panasonic, que tenho até hoje. Gostávamos de cantar Gloria, Hang on Sloopy, With a Girl Like You, etc. Com os nossos pobres instrumentos, faziamos muito barulho, pensando que estavamos fazendo estilo para os estudantes da Escola Comercial que subiam a calçada para o estabelecimento localizado no topo, ao lado da Igreja Santo Agostinho. Diziam as más línguas que a gente era rafeiro (tipo porcaria .... hehehe), e tenho que confessar, a gente se esforçava mas não era nada sério. Mais por brincadeira.
Para melhorar os nossos instrumentos, eu sonhava ganhar no Pá Kap Piu e jogava, mas nunca deu em nada. Na época, diziam que quem acertava o prémio maior, dava azar na vida. Dava certo receio mas não impedia sonhar e jogar. Depois quando terminei o curso secundário, a minha mãe levou-me para Hong Kong e no Tom Lee, comprou-me uma guitarra elétrica Thompson que tenho até hoje e está bem conservada, uma relíquia. Vim saber depois, que a minha mãe teve que até emprestar dinheiro para comprar-me o presente. Obrigado mãe Maria Marcelina Dias da Luz. A gente quando é criança nunca sabe, nem consegue medir o esforço dos adultos para comprar o nosso presente. Quem em Macau, naqueles tempos, não recorreu a agiotas para emprestar dinheiro? Lembro-me bem de uma senhora chinesa que fazia isso, da sua fisionomia marcante, quando acompanhava a minha mãe para pagar a dívida.

13/02/09

CURTAS ANTES DAS LONGAS

Nas Curtas antes das Longas, o objetivo é antecipar alguns assuntos que possam merecer Postagem neste blog, além de informar:

- Ouvi chacha ... Casa di Macau di São Paulo tem di novo Teatro di Patuá !!!
Ah ... dizem vocês, que patuá é esse, Rogério !!! Fazer o quê, não é ... até concordo, mas esforcei-me. Não sou nenhum mestre ou sábio do patuá. Apenas curioso, apesar de macaense, mas, não necessariamente todo macaense tem que dominar o patuá, concordas?
Bom, era apenas para avisar vocês que o Patuá renasceu na Casa de Macau de São Paulo (da forma como a Julie tem o significado de renovação-vide matéria abaixo) e os seus principais responsáveis (por ordem de ladies first) - Mariazinha Carvalho (vide foto abaixo) e o Armando Sales Ritchie e seus grandes colaboradores (na matéria a postar citarei todos para não esquecer de ninguém), além do grande incentivador, Alex Airosa (Alou) que hoje é o presidente da Casa, embora, tanto faz ser ou não presidente, Alou tem sempre apoiado causas macaenses em São Paulo. E olha aí uma novidade!!! atores (actores) jovens surpreenderão com a sua participação no teatro. É o resultado no investimento na Nova Geração empreendido por Júlio Branco (Totó) e Alex Airosa (Alou), agora na presidência!!! Logo, farei uma postagem com fotos do nosso Teatro de Patuá, que está a estudar um nome para o Grupo com as sugestões que estão a receber.

- ALTO LÁ !!! A IDÉIA É MINHA, O PROJETO É MEU, OU SEJA, DE UMA DIRETORIA
Na gestão do Júlio Branco (Totó), eu como secretário geral, apresentei um projeto por escrito - Memorial do Imigrante - numa reunião da diretoria. Foi aprovada e o Totó pediu ao Jerry Gomes para elaborar um projeto. Não tenho a vaidade de dizer que fui o autor da idéia, sem ter copiado de ninguém, mas atribuo à Diretoria da gestão do Totó. Não preciso de vaidades, não vivo disso, não sou profissional de vaidades, mas que não venha qualquer pessoa falar do projeto, sem atribuir a autoria àquela Directoria, pois as provas estão na secretaria da Casa de Macau e copiadas nos meus arquivos. No mínimo isto é vergonhoso!!!

- OS JOVENS REUNEM-SE (OU REUNIRAM-SE) NO DOMINGO DIA 15/FEVEREIRO/2009
Os jovens ou a Nova Geração já andam lá agitados com a viagem para o Encontro de Jovens em Macau, em Julho deste ano !!! Reuniram-se com o presidente Alex Airosa para um avanço na escolha dos felizardos responsáveis para representar São Paulo. Numa das conversas com eles, ouvi, até um pouco entristecido, que diante da experiência do Encontro das Comunidades de 2007, havia entre eles a preocupação que os escolhidos tivessem noções da língua inglesa, pois na reunião de jovens que foi promovida na ocasião, somente se falou o inglês, quando o esforço era a continuidade das nossas tradições e a preservação do legado. Por acaso, a língua portuguesa não faz parte do nosso legado e das nossas tradições? Se você disser sim, então porque não misturar o português e o inglês, mais pelo sentido de conscientização, mesmo que seja "pouco prático". Só um pouquinho de prestígio para a nossa língua !!! please ... portuguese language is part of our heritage !!!

- 10 ANOS DE ESTABELECIMENTO DA RAEM
Há cerca de 10 anos atrás, chorei ao assistir a transição pela RTP, aqui do outro lado do mundo. Chorei ao ver o arriar das bandeiras portuguesa e do Leal Senado. Como assim aconteceu com muitos macaenses e portugueses !!! No entanto, sabia que não havia sentido a China aceitar que um pedaço de terra (originariamente sua) ligado ao seu continente e com a maioria da população sendo chinesa, fosse administrado por uma nação estrangeira. Nem concordariamos que um pedaço de terra em Portugal ou no Brasil (com a maioria da população portuguesa ou brasileira), fosse administrado pela China.
Hoje, no ano da celebração dos 10 anos do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau-RAEM, somente tenho que agradecer à RAEM. Vejo os macaenses ocuparem o seu espaço em Macau, os Encontros foram prestigiados, a língua portuguesa presente de uma forma ou outra, até a realização dos 1ºs. Jogos Lusófonos com apoio das autoridades ... etc. etc. Não há como exigir que hoje seja como antigamente, mas como "antigamente"? Afinal de contas, há que se entender que hoje, Macau é China e a China é dos chineses. Graças a Deus que os chineses nos vêm como filhos da terra e somos bem aceitos por isso, como eu próprio vivenciei, quando, num dos exemplos, ao comentar a um motorista de táxi que lembrava pouco do cantonense, ao que ele replicou, "não tem importância (mou man tai), o importante que você é filho da terra (tou sán châi)". Aí percebi que dão grande valor por sermos FILHOS DA TERRA .. da nossa terra Macau !!!


11/02/09

Renovação na Casa de Macau de São Paulo





RENOVAÇÃO NA CASA DE MACAU

Seria uma simples notícia, se fosse para contar que a Casa de Macau de São Paulo tem nova responsável pela cozinhação aos domingos e festas, caso não tivesse um significado de continuidade e legado !!! Um assunto hoje tão falado na Comunidade Macaense mundial e no nosso Conselho-CCM.

Delfina Quevedo da Silva, mais conhecida como Fina, nos seus 77 anos de idade decidiu aposentar-se da cozinha da Casa e assim, na festa de Natal de 2008, pediu a sua demissão do cargo ao presidente Alex Airosa (Alou). "Nem tinha como recusar esse pedido" dizia o Alex, pois na opinião dele, nunca iria permitir a sua mãe, nessa idade, estar nesse trabalho tão cansativo (cozinhar para tanta gente), embora reconhecendo que sentirá saudades da deliciosa culinária macaense e chinesa da Fina.


Lembro que quando eu fazia parte da diretoria anterior, já opinava para a Fina, que ela tinha que parar, pois já devia estar em casa a descansar. Sentia no rosto da Fina e nas suas mãos desgastadas um cansaço a implorar uma vida descansada, mas como dizia ela, aguardava a aposentadoria do Bicho (Arnaldo), já liberada finalmente. Daí que quando a Fina, na festa de Natal de 2008, veio me dizer que iria pedir demissão pois já estava cansada, a mostrar as suas mãos, fui o primeiro a aplaudir a sua decisão, dando-lhe todo o apoio. Repeti que se ela fosse minha mãe, nunca estaria aí nesse árduo trabalho. Pensei comigo, ela tem irmãos e familiares que estão muito bem de vida, e se houver dificuldades para se manter, teria a quem recorrer.


Agora quanto à questão de continuidade e legado, a Julie Coatswith (50 anos) é um típico exemplo! Julie nasceu em Hong Kong, filha de Maria Conceição Carvalho (Mariazinha) e de pai inglês. Desde cedo, com uma acentuada paixão pela culinária, aprendeu com a mãe macaense os segredos da cozinha macaense e chinesa. Isto é o que posso dizer de legado (se usei a palavra certa), pois para garantir a continuidade da culinária macaense, a mãe ensina à filha os seus segredos. E quanto à continuidade? A Fina nos seus 77 anos deixa a cozinha da Casa de Macau de São Paulo e nos meus 6 anos (3 mandatos) de diretoria, uma pergunta sempre pairava no ar!!! E se a Fina parar de cozinhar, quem vai substitui-la para nos garantir a continuidade da culinária macaense e chinesa aos domingos e festas? Até existem vários nomes, mas todos eles consultados, recusavam-se a assumir tamanha responsabilidade. O nome da Julie, mais nova, nunca figurava. E eis que inesperadamente surge ela, para nossa salvação!!! Aleluia !!!

E Julie logo assumiu em Janeiro de 2009, e para nossa salvação e surpresa minha, revelou-se uma autêntica profissional, perfeita conhecedora da cozinha macaense, chinesa e além de tudo, a brasileira. Julie adora a culinária e dizia a mãe Mariazinha, "ela está a realizar o sonho dela". Já na sua 3a. semana, com muita desenvoltura e domínio da sua responsabilidade, já tem uma legião de fãs da sua culinária, inclusive eu, e fico imensamente satisfeito que a Julie mostra à comunidade macaense, que ninguém é insubstituível, a Casa de Macau tem que continuir e os mais novos têm que estar prontos para assumir. Para isso, temos que integrar os mais jovens, não só a Nova Geração, mas também a Geração Imediata, como a da Julie nos seus 50 anos. Alguns "antigos" têm que se conscientizar que não são insubstituíveis, ou que são os salvadores de pátria da Casa de Macau. Têm que confiar noutros e ceder o espaço, além de contribuir com conselhos positivos e construtivos, e nunca pejorativos e destrutivos que possam causar repulsa dos mais jovens ao ambiente de uma Casa de Macau, sem falar doutros associados que pensam positivamente da associação. E que se salve a Casa de Macau !!!


O ALMOÇO DO ANO NOVO CHINÊS

A Julie na 2a. semana da sua nova função na Casa de Macau de São Paulo já teve para si, a responsabilidade para preparar as suas receitas chinesas para o almoço especial do Ano Novo Chinês. Também deu o seu contributo para enriquecer o cardápio do dia com seu prato próprio, o Nano ... espera aí ... Nano??? Pois é, meus amigos de Portugal, nada mais que o Fernando Branco, que foi membro de direção da Casa de Macau de Portugal em gestão passada !!! E assim, eles contribuiram para o almoço especial do Ano Novo Chinês que fez o maior sucesso entre os mais de 80 associados e amigos. Graças a Deus que não ficamos lamentando a falta de comida chinesa, pois todos encheram os seus pratos e se deliciaram muito. O Nano, com o seu chai (comida de bonzo) foi uma delícia. E a Julie com outras delícias chinesas, mostrando toda a sua sabedoria na culinária, seja qual for o sabor. Parabéns a todos !!!


O 'BARMAN NINJA"

Pois é ... além da nova referência, também conhecido como o "Charles Bronson macaense", Clemente Badaraco assumiu com a Julie as tarefas de cozinha e do bar da Casa de Macau de São Paulo. E todo estiloso com os trajes pretos e pano na cabeça (para não cair cabelo na comida e bebida: sábio, higiénico) já foi mostrando o seu estilo ninja, como de imediato assim foi apelidado por Alex Airosa, o presidente.

Enfim ...

Está de parabéns todos os citados aqui, inclusive o Alex (Alou), que mais uma vez mostra a sua visão da necessidade de continuidade da Casa de Macau de São Paulo, pensa no futuro, o que já vem demonstrando nas suas iniciativas de apoio à Nova Geração, agora preocupado com o Encontro dos Jovens neste ano.

Um apelo ...

E vamos ponderar, gente !!! Calma aí !!! Uma mensagem direta a alguns poucos "inconformados" que até agem nos bastidores ... ainda bem que são uma ínfima minoria, pois entre as pessoas de boa vontade e de bom senso, a maioria, a Casa de Macau tem que continuar, e este é o único pensamento que pode existir. Não se pode, e é um absurdo pensar-se, que tem que gastar todo o dinheiro hoje e que não é preciso guardar as verbas e nem investir no futuro, muito menos nos jovens, pois pensam eles "ah ... os jovens não querem saber da Casa de Macau, veja o exemplo das minhas filhas que não vão mais para a Casa ... etc etc". Muito triste ouvir isso e até um pensamento egoísta e retrógrado. Raiva??? Não, apenas pena de gente que pensa assim !!!

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29/10/08

Série 3 - Hugo Chávez na Casa de Macau ???!!! Candidatura sem restrições de nº de mandatos

Série 3 - Hugo Chávez na Casa de Macau ???!!! Candidatura sem restrições de nº de mandatos

Hugo Chávez na Casa de Macau de São Paulo ???!!! Não, não ... apenas uma referência proferida numa assembléia. Ah ... isso contribuiu para descontrair o ambiente, pois foi citada até a disputa eleitoral para a prefeitura municipal de São Paulo, entre o atual prefeito Gilberto Kassab, que foi reeleito, e a ex-prefeita Marta Suplicy. E, até aventaram que a proposta do conselheiro Aníbal Joaquim, pode ter exemplo em Hugo Chávez e a reeleição de Kassab. O Aníbal bem que tentou explicar o motivo da sua proposta, bem intencionada conforme ele. "Fiquei até assustado com a reação de alguns", afirma o Aníbal, pois conforme ele, foi com base no que assistiu nas eleições anteriores e o eterno problema de falta de candidatos. Pensava ele que com a proposta de permitir a candidatura da diretoria à nova eleição, mesmo tendo já cumprido 2 mandatos, era para resolver esse problema de ausência de candidaturas e enrolação que se assiste. Afinal de contas, a diretoria teria que concorrer de qualquer forma, se quisesse apresentar a candidatura, e ganhar a eleição.Mas a preocupação de uso de "máquina administrativa" ou atitudes eleitoreiras da diretoria no "poder", "inibiaria" a apresentação de qualquer candidatura, foi uma das manifestações dos opositores à proposta. Nessas alturas, a Casa de Macau estava sendo comparada e discutida a nível de Presidência de República, Prefeitura Municipal, o Poder, o Governo etc. etc.Houve quem pensasse que a proposta permitiria à diretoria se eternizar no "poder", sem ter mais nenhuma eleição ... Minha intervenção nessa descontraída discussão, já que foram falar de política, foi que a ex-prefeita Marta disputou a sua reeleição com o novo candidato José Serra, e perdeu, mesmo que muitos falaram que ela tinha realizado "obras eleitoreiras pré-eleitorais". Está ok, está ok, vão dizer que o Kassab foi reeleito em contrapartida !!!Mas, política é política, Casa de Macau é Casa de Macau e não é Casa da Venezuela ou Casa de Prefeitura. Vamos separar as coisas !!! O trabalho é voluntário e a gente sacrifica a nossa vida particular a troco de nenhuma remuneração. Até gastamos dinheiro do nosso bolso para esse trabalho voluntário. Eu dispenso a vaidade e sede de poder, por ser diretoria. Xô ... fiquem longe de mim !!! Pelo menos assistiram à divulgação do meu motivo de não concorrer à reeleição de 2° vice pelo Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Macaenses. Achava que não era amparada pelos estatutos e assim eu escrevi aqui.No entanto não sou fervoroso defensor da proposta, e já que foi apresentada, entre o sim e o não, deixei o sim, pelos argumentos apresentados por Aníbal. Na verdade, posso dizer que sou um dos exemplos vivo dessa proposta. Isto é, fui diretor na 1a. gestão do Júlio Branco, onde houve uma disputa entre 2 candidaturas. Ganhamos e pronto, fiquei 2 anos. No final do mandato, nenhuma candidatura e o Júlio apresentou a dele e foi reeleito e lá eu tive que ficar mais 2 anos. E no término do 2° mandato, nada de candidato e não podiamos continuar, pois o estatuto não permitia, aliás nem queriamos continuar. Estavamos já exaustos. Aí o Alex Airosa se candidatou como chapa/lista única. E se não houvesse nenhuma candidatura??? Ai ai ai, teria que me sacrificar por mais 2 anos? O Júlio que me perdoe, se fosse permitido a ele se candidatar, tipo "candidatura de emergência", como hoje já é permitido, acho que ele teria que continuar sem mim.Isto para explicar que, mesmo que o estatuto permita, como acontece hoje, cumprir mais de 2 mandatos??? Nossa, haja fôlego !!! Assim, pensei, para que toda a discussão? Vai ter presidente que queira ficar por mais de 6 anos (3 anos de mandatos também foi aprovado-vide depois) na administração? Uma coisa é o estatuto permitir, outra coisa é ver se vai ter alguém com essa disposição!!! Seria um herói!!! Merecedor do Prémio Nobel. Assim, para mim, tanto faz se o estatuto permite ou não. Pois Casa de Macau não é emprego, é trabalho voluntário sem remuneração, em que você sacrifica a sua vida e seus projetos particulares pela associação. Ainda tento entender a polémica ou se há outras preocupações não manifestadas.Mas o susto do Aníbal logo passou, embora ele nem teve motivos para comemorar a aprovação por 80,26% dos 76 associados presentes, ou seja, 61 votos a favor contra 15 opositores à proposta, e nem havia motivo para isto, pois pensou apenas em dar uma mãozinha para esses problemas de candidaturas, que podem se agravar no futuro, com o avanço de idade dos associados.Lembro bem de uma situação semelhante numa outra Casa, em que o presidente teve que apresentar a candidatura seguidas vezes (não recordo de quantas), pois simplesmente não havia candidatos em várias eleições. Ele alegava até cansaço, mas paciência, não havia como deixar a Casa sem administração. Fechá-la por falta de diretoria??? Penso, ainda preciso checar, que os estatutos daquela Casa permitia reeleições sem limites.Aliás o presidente da CM agiu bem em ficar alheio ao bate-boca e simplesmente administrar a disciplina do ambiente e encaminhar a votação, pois afinal de contas, a proposta não era de sua iniciativa e na reunião da diretoria com os conselheiros, a sua apresentação por parte do conselheiro Aníbal, foi aprovada sem votos contrários para ser submetida à assembléia, conforme informações. Aí penso ... será que não teria sido mais produtivo se o tema, já nessa reunião preliminar, fosse mais debatido por quem opusesse a ele?